
Como eu me vejo
O autoentendimento é como uma bússola nos orientando para fazer ou não fazer, ser ou não ser, ir ou não ir, falar ou não falar, etc.
Autoentendimento tem a ver com atenção.
Quão consciente estou do que sou capaz de fazer? Quanto eu me conheço e conheço os outros?
Não se trata da função que exerço: professora, enfermeira, dona de casa, mãe, esposa, comerciante, etc.
Segundo estudo de Scott Schwefel sobre personalidade e o cérebro, a maior parte da comunicação é dirigida pelo nosso subconsciente. Este gosta de dar respostas na interação com os outros. Parte do cérebro assume e erra.
Daí que Jung fala de cérebro inconsciente e cérebro consciente. Sua famosa afirmação chama-nos a atenção: “Até que você torne o inconsciente consciente, aquele vai dirigir sua vida e você vai crer que é o destino.”
Estar consciente é o contrário de piloto automático. Levar em consideração isso dará um salto de qualidade na sua comunicação.
Quando entendo os traços de comportamento e como as pessoas agem, posso diminuir o desconforto e até possível conflito.
Deve ser ensinado tão cedo quanto possível a compreensão de quem somos, e a habilidade de perguntarmos o porquê agimos de determinada maneira e ficamos desconfortáveis.
Mas somos dinâmicos e modificamo-nos ao longo da vida.
Atribui-se a Carl Jung a afirmação de que quando duas personalidades se encontram é como o contato de duas substâncias químicas. Se houver alguma reação, ambas serão transformadas.
A partir da ideia dos efeitos dos humores (líquidos do corpo) no comportamento humano (fleumático, sanguíneo, colérico e melancólico), do grego Hipócrates, considerado pai da medicina, Jung, mais tarde, destaca em seus estudos as energias que nos movem. Agimos, na maior parte das vezes, com as energias que nos dão bem estar e conforto.
Carl Jung foi um psiquiatra suíço que estudou os padrões de comportamento de modo que a pessoa pudesse se conhecer e conhecer os outros. Seu livro, de 1921, "Tipos Psicológicos" foi determinante nesse sentido.
Qual a sua maneira predominante de agir?
Katherine Briggs e Isabel Briggs Myers desenvolveram a partir dos tipos psicológicos estudados por Jung a variação de comportamentos a partir de diferentes maneiras como os indivíduos respondem às demandas.
Seus indicadores ficaram famosos a partir da publicação desses na década de 60 do século passado. São conhecidos como MBIT – Myers-Briggs Type Indicator (https://www.myersbriggs.org)
Extrovertido
Tende a ser orientado pela
ação e sente-se energizado
com interações sociais.
Sentimental
Decide também através das pessoas e das emoções envolvidas.
Rígido
Tende a decisões fechadas, conclusivas.
Sensitivo
Tende a prestar atenção aos cinco sentidos e às experiências conhecidas.
Introvertido
Mais emocional, valoriza seu próprio pensamento e tende a gostar mais de relações profundas e interações sociais significativas, recarrega sua
energia ao estar só.
Reflexivo
Pensa nos fatos, usa a lógica
e é impessoal.
Flexível
Tende a ser mais aberto e ponderar sobre vários ângulo.
Intuitivo
Interpreta impressões e modelos, olha para o futuro, imagina possibilidades e trabalha no abstrato
Assim, por exemplo, um tipo pode ser predominantemente extrovertido e intuitivo no seu agir. De acordo com essa tipologia pode-se chegar a uma combinação de 16 tipos diferentes.Novos estudos sobre a estrutura dos traços de personalidade chegaram a uma organização em cinco dimensões, conhecida como BIG 5. São elas:

Extroversão

Amabilidade

Conscienciosidade

Abertura

Neuroticismo
Todos nós temos todas estas dimensões que irá variar de grau – elevado a baixo. Segundo o neurocientista Pedro Calabrez, todas estas dimensões têm seu lado negativo e positivo, não havendo uma melhor que a outra.
Para a tipologia do BIG 5 a introversão inexiste. O que existe é um grau baixo de extroversão. A pessoa tida popularmente como tímida para efeito dessa tipologia enquadra-se na dimensão do neuroticismo - excesso de negatividade e medo. O neuroticismo é um traço importante do comportamento que em um grau saudável protege-nos.
A Amabilidade refere-se ao atributo da gentileza e afabilidade, importante para nossa vida social. No entanto, em grau elevado a pessoa tende a esquecer-se de suas próprias necessidades, esgotando-se para agradar os outros.
A Conscienciosidade caracteriza-se pelo estado de consciência alto, pela concentração mental, pela autodisciplina e pelo senso de organização. No aspecto negativo, entretanto, esse traço em grau elevado tira da pessoa a espontaneidade e até a alegria.
A Abertura é o traço da disponibilidade para o novo, experimentar novidades. Em seu aspecto negativo, pode colocar a pessoa em risco.
A Extroversão é o traço pelo qual a pessoa precisa estar com outras pessoas e em vários ambientes do seu agrado para repor sua energia. O grau baixo de extroversão fala de pessoas que precisam de ficar um tempo sozinhas para repor suas energias.
Quando entendo as minhas próprias preferências de personalidade, posso refletir sobre as diferenças de comportamento de como estar no mundo, o meu e o do outro.
Aprendemos a lidar com essas preferências e podemos reduzir o impacto que elas têm sobre nós e gerir nossa tendência de acharmos que um comportamento diferente do nosso não significa necessariamente uma atitude para nos ofender.
Faz o teste do BIG 5 que disponibilizo nesta página para ver seu padrão de comportamento atual.