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O passado familiar que vicia

  • Foto do escritor: eliana mattar
    eliana mattar
  • 24 de jan.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 12 de fev.

Carregamos dentro de nós um arquivo gigante da nossa história. Mas são as influências negativas, as más experiências que deixam marcas profundas na nossa mente. Por questão de sobrevivência, a nossa natureza humana tem essa característica de prestar mais atenção e por mais tempo às ameaças do que às situações agradáveis.


Recordamos na maior parte das vezes os erros, defeitos e as carências, mais dos outros do que dos nossos.



Esse desconhecimento entre o que sentimos e como agimos nos faz viver num nível de superficialidade que me faz lembrar a famosa frase de Jung, psiquiatra e psicanalista suíço que morreu nos anos de 1961:


“ Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino."


A influência da infância no adulto é grande e há traumas e sofrimentos tão profundos que desencorajam a pessoa a pesquisar como foi essa fase da sua vida, como eram seu cuidadores, e até onde a infância tem impacto nos nossos comportamentos.


Qualquer que seja a nossa visão sobre a nossa infância, feliz, infeliz ou normal, há sempre momentos em que nossa confiança básica está comprometida.

Stefanie Stahl chega a afirmar que o nosso inconsciente - representado por nossa criança interior - tem um poder significativo sobre a nossa percepção, comportamento e formas de sentir e pensar.


Muito mais influente do que o nosso intelecto. Para essa psicóloga, aquela pessoa que foi aceita e amada pelos pais, carrega pela vida um sentimento de confiança como se tivesse a sua casa dentro dela.


Por mais amor que os nossos pais tenham dedicado a nós, sabe-se que a personalidade deles afeta a nossa.


Jane Nelson, doutora em Educação, terapeuta de casais e famílias nos EUA, autora de vários livros, listou alguns tipos de comportamento dos pais e seus possíveis efeitos em seus filhos.


Assim, por exemplo, pais que querem evitar dor e estresse tendem a não ajudar os filhos a aprender limites e organização. Podem passar a crença de que não precisam respeitar nenhuma regra de convivência social. Se de um lado, essa postura pode contribuir para as crianças serem descontraídas e apreciarem pequenos prazeres, por outro pode gerar crianças mimadas e exigentes.


Já os pais motivados pelo controle podem ser muito rígidos. Os efeitos negativos que tal comportamento podem produzir nas crianças é frustração e rebeldia e em outras o entendimento que devem sempre agradar os outros para conseguir amor. De positivo, tal traço ensina a persistência, habilidade de liderança e gestão do tempo, respeito pela lei e ordem.


Há ainda o comportamento que tem como foco a satisfação, tornar a vida divertida e não difícil. As crianças aprendem a ser amigáveis, a ter consideração pelos outros, a serem pacificadores, atentas aos desfavorecidos. No entanto, agradar em excesso pode ser uma via rápida para o ressentimento e a depressão quando adultos, ao encontrarem pessoas que não se comportam dessa maneira.


Por último, Jane Nelson cita os pais que se comportam com superioridade, que pode tanto encorajar objetivos como sucesso e realização como produzir em seus filhos a interpretação de “terem que ser perfeitos”. Em excesso a superioridade pode desenvolver nas crianças um sentimento de inadequação para atender às expectativas altas dos pais.


É comum casais que não tenham os mesmos comportamentos, sendo um fator complicador na educação dos filhos e na própria manutenção da família.


O modo habitual de relembrar memórias que trazem emoções desagradáveis, como se estivéssemos ruminando algo para digerir qualquer obstrução emocional, adoece-nos.

Sob o ponto de vista científico, afirma o cientista, educador e autor Joe Dispenza, viver sobre o peso do estresse é viver no modo de sobrevivência. Significa que todo o nosso corpo está no estado de alerta e nossos órgãos e sentidos são ativados gerando grande gasto de energia.


Nenhum organismo pode viver no modo emergência por longos períodos de tempo.


Estudos comprovam que tal situação tiram de nosso cérebro e do nosso corpo a fisiologia normal e estável somente ao pensar no passado familiar ou na tentativa de controlar um futuro imprevisível. Ao rememorar constantemente nossas más experiências passadas, estamos ancorando nosso cérebro e corpo no passado.


Emoções são as consequências químicas de nossas experiências passadas. Isso porque, essas experiências ficam impressas em nosso circuito nervoso e as correspondentes emoções impressas em nossos corpos. Daí que o nosso passado determina a nossa biologia, com alteração na produção dos hormônios do cortisol e da adrenalina, por exemplo. Nossa energia esgota-se e o corpo fica sem condições de se restabelecer e se restaurar, comprometendo o sistema imunológico.


O pior é ficarmos viciados nesse estado, sem que consigamos deixar de pensar e sentir o passado.


Ficamos viciados, sem nos darmos conta, nessa química poderosa produzida pelo estado permanente de desconforto e mal-estar que muda nossa biologia.


Para sair desse estado, necessitamos de nos esforçar. As práticas intencionais e constantes, como a respiração controlada somadas às emoções elevadas como gratidão, contentamento, inspiração, entre outros, mudam esse panorama sombrio. A possibilidade de mudança. A plasticidade do cérebro, como descoberta, quando ativada pode mudar nossa história futura.


Mais do que pensamento positivo, as emoções elevadas trazem uma nova energia e alteram nossa biologia, como constata Joe Dispenza.


Você tem algo para agradecer? Há algo na sua vida que lhe dá contentamento?

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